Turma da Mônica Jovem [resenha]

Turma da Mônica Jovem [resenha]

Gosto de quadrinhos desde antes de saber ler. Durante toda a década de oitenta, lia na maioria das vezes Disney, Trapalhões ( da editora Bloch) e principalmente Turma da Mônica.

Como tal, fiquei fã de Maurício de Sousa, seu trabalho e personagens e seguia acompanhando suas histórias mesmo após me interessar por quadrinhos de humor e heróis. Com isso me incentivou a também criar e fazer minhas histórias e meus personagens.

Hoje estou, como qualquer outro quadrinista brasileiro novato, batalhando neste mundo de arte e entretenimento.

Bom, mas chega de conversa fiada, vamos falar do alardeado TURMA da MÔNICA JOVEM. Para mim não é tão difícil aceitar a turminha mais velha, pois era um desejo do meu sub-consciente em vê-los mais velhos com outra temática de história.

Por isso em 1998 criei um fanfiction ( história ficcional de fã ) chamado Menores do Amanhã. Todos que me conhecem, sabem que faço este fan fiction a muito tempo e por causa das pessoas que gostaram da idéia continuo fazendo até hoje e publico as histórias em um blog reservado a eles.

Mônica Mangá e Menores do Amanhã: Arte por Rogerio de Souza

Mônica Mangá e Menores do Amanhã: Arte por Rogerio de Souza

Como podem ver, tenho uma visão pré-concebida do que seria uma Turma da Mônica Jovem.
Se já mandei essas minhas idéias para o Maurício? Tentei, mas não consegui nenhum comentario, infelizmente. Mas deixa pra lá…

Nos últimos anos entrei numa comunidade oficial da Turma da Mônica, no Orkut, onde entravamos em contato com bastidores de produção das histórias. Foi de lá que descobri sobre a troca de editora, dos almanaques inéditos de personagens como Tina e Astronauta. De edições especiais como “Lostinho” ( sátira do seriado Lost ) e Guerra nas Estrelas. De polêmicas como a nova aparência do Rolo e cia, as caretas, etc…

Daí, um certo dia, descobri que iam lançar uma Turma da Mônica Jovem em estilo Mangá. Como diriam no Jovem nerd: MINHA CABEÇA EXPLODIU!!! DUAS VEZES!!!

Eu não sabia o que pensar naquele momento, fiquei apreensivo, pois temia que… Bom… Esperei, apenas isso e aqui estou com um exemplar na mão.

Antes de mais nada, achei a iniciativa muito boa, uma evolução que acho coerente em historinhas que são publicadas a quarenta anos. Retratá-los com o estilo oriental foi uma boa sacada.

Uma coisa é a idéia ser boa, mas na pratica…

A começar, não é necessário falar toda hora que é em estilo mangá. O que interessa é a história, deixem o leitor descobrir o mangá sozinho. O fato de ser mangá não me incomodou nem um pouco gosto do estilo tanto quanto qualquer outro, mas há um excesso de elementos orientais que poderiam até ser desconsiderados em algumas cenas.

A revista em si me surpreendeu pelo numero de páginas e seu formato diferenciado. O fato de ser em preto e branco, também não me incomodou.

A influência do mestre Osamu Tezuka é digno de nota, nas primeiras artes conceituais do projeto achei muito semelhante a revista Witch da Disney italiana, mas no conteúdo da revista a dinâmica da história mostra retículas, caretas e enquadramento bem ao estilo característico que virou mania no mundo inteiro, tirando excessos…

A caracterização dos personagens adolescentes… Ai eles entraram numa área perigosa, mas muitas dessas mudanças eu aceito, afinal eles cresceram. No entanto, algumas coisas poderiam ter sido preservadas ou melhoradas. Magali, por exemplo, poderia continuar com sua gula e misteriosamente se manter magra sem problemas. Mônica podia ser um pouco mais grosseira, principalmente nos diálogos, porém ainda simpática.

“Céuboy” é um nome esquisito pro anjinho, mas como foi comentado pelo roteirista, é uma referência a “Hellboy”, personagem de Mike Mignola. Muitos não gostaram disso e até concordo.

Como disse antes, eu tenho uma visão própria de como seria uma Turma da Mônica adolescente. E fica um pouco esquisito ver aspectos conflitantes com a minha visão. Temos que considerar que essa fase é problemática e amenizar certas características não condiz com o público que querem atingir.

Agora, sobre a história [ atenção! Spoilers!!]

Bom, aí está o grande elo fraco de tudo. Eu explico.
Na primeira parte da história, somos apresentados aos personagens. Descobrimos que eles cresceram e que não são mais os mesmos. Ok. O grande problema é que isto é dito durante todo o capitulo, de maneiras diferentes e repetidas vezes. É um erro comum nos quadrinhos o narrador falar exatamente o que esta acontecendo na cena a olhos vistos. Deveriam ter maneirado nisso.

A segunda parte nos leva a um museu no bairro de nossos heróis onde somos apresentados ao “Fran” ( o Franjinha ) com jeito galã, assistente do professor Falconi ( personagem criado para a história – notem que os traços dele são bem do estilo de Tezuka, como falei antes…) coordenador do museu que guarda artefatos místicos. Também aparece o “Céuboy”. Então sabemos sobre a lenda da Rainha Yuka derrotada por quatro samurais que a aprisionaram numa pedra lunar. Tudo ia bem até aparecer o Capitão Feio – agora “Poeira Negra” ( não precisava mudar tanto.) passa a ser um segundo vilão após libertar a citada Rainha Yuka, que é na verdade uma poderosa à qual ele serve devotadamente (particularmente espero que isso seja parte de um plano do Feio para tirar alguma vantagem sobre a rainha, o que condiz mais com o perfil do personagem).

Tudo poderia ser aceitável, mas as coisas começaram a ficar esquisitas a partir da página 95 ( com o gancho na página 25 á 27 ). quando descobrimos que as mães da Mônica e Magali e os pais de Cebola e Cascão ( os que se parecem com os filhos ) são guerreiros samurais ( ou encarnação deles… espero) que haviam aprisionado Yuka no passado. E que surgem agora para ajudar os filhos. No final, numa espécie de regra esquisita ( até achei interessante o Cebola concordar…) na qual eles “terão que assumir o lugar dos pais para deter Yuka” e para isso terão que viajar por quatro dimensões ( cada uma com características típicas dos sub gêneros de mangás ) pegar artefatos místicos…

Bom e ai espera-se o resultado nas próximas edições.

Concluindo: a idéia é boa. Mudar a temática para uma história de aventura e ação incluindo o dia-a-dia deles é bom. Se for para ser uma história só de adolescentes, … para que serve as histórias da Tina então?

Mas a trama não esta boa. Esta é a minha opinião. Muito deve ser melhorado e aprimorado. Pois a maioria dos que não gostaram tem suas razões, e as acho bem acertadas.

Estão pisando em ovos, isto desde os últimos anos. Pode ser que as vendas digam o contrário, mas todo cuidado é pouco.

Eu acredito que boas histórias possam sair de uma turma da Mônica jovem, no entanto tenham consciência que o jovem também é leitor e o amadurecimento dos personagens tende partir de quem os escreve.

Tenho todos os motivos do mundo para não gostar deste lançamento, mas simplesmente me reservo a apatia e tento achar uma solução e não uma simples crítica. Confiram e tirem suas conclusões.


Rogério de Souza
Instrutor do Curso Dinamo HQ

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Um comentário sobre “Turma da Mônica Jovem [resenha]

  • Puxa, Rogério tbm. concordo plenamente com você pois é a primeira vez que leio uma crítica tão construtiva vindo de um profissional da área, que aponta os defeitos e qualidades da trama. Muitos outros profissionais parecem que só vêem defeitos e se limitam a falar coisas sem fundamento. Apesar de tantos defeitos nos primeiros números da série eu, particularmente adorei o trabalho com a turma e já posso me considerar como um leitor fiel desse trabalho.

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