Thor [resenha]

Thor [resenha]

Assisti neste fim de semana à THOR, quarto filme do MARVEL STUDIOS, onde o Deus do Trovão foi trazido às telas de cinema.

Como todos sabem, Thor ganhou as páginas dos quadrinhos em 1962, através do impeto de Stan Lee em desenvolver personagens que não seriam necessariamente super-heróis (para não concorrerem diretamente com os da DC COMICS – que distribuía suas revistas nos EUA) e da criatividade de Jack Kirby (que trouxe visual e dinamismo não só ao filho de Odin, mas a uma leva enorme de personagens do Universo Marvel). A visão romântica e simplista da complicada mitologia nórdica na qual se baseavam ganhou perfis de tragédia grega, com uma pitada de base familiar, amizade e até romantismo. Combinações que cairam como uma luva para os jovens leitores da Marvel, e que consolidaram-se como uma fórmula eficaz na dinâmica do personagem.

Assitindo ao filme, eu realmente me diverti. Vendo Thor, em toda sua arrogânia e poder, dando golpes que eram eternizados pelo traço de Kirby (como o girar do martelo no ar, contra o solo, o famoso arremesso da arma contra os oponentes), além dos oponentes, e Asgard, em seus traços verticais e formas arquitetônicas geométricas… eu realmente me senti o moleque lendo as páginas de Heróis da TV, onde tive contato pela primeira vez com os quadrinhos do Poderoso Thor.

Kenneth Branagh fez uma incursão muito curiosa e interessante no gênero ficção-quadrinhos no cinema que não é seu habitual. Nota-se o estilo do diretor, bem como sua veia “Shakespiriana” ao trabalhar a trama da história, uma tragédia teatral, com filhos ilegítimos, disputa familiar, intrigas, etc. Tudo muito leve, realmente, pois é pro pessoal se divertir rápida e facilmente no cinema.

Thor, o FIlmeMas notei outra coisa, também… Tal como os quadrinhos que se baseia, os filmes da Marvel veêm se mostrando produções de histórias simples e visuais complexos e arrojados. Foi a impressão que tive vendo Iron Man (1 e principalmente o 2), o segundo Hulk e este novo filme do estúdio. Achei isto porque Thor mostrou-se um entretenimento rápido e que não torna-se memorável, ao ponto de você sair da sala de cinema questionando-se quanto aos personagens, suas motivações, etc. Lógicamente você sai empolgado, como fã, e com certeza discutindo como vai ser legal o vindouro filme dos Vingadores. Isto não é demérito algum! Mas só isto.

Mas gera um bom questionamento: estaria o cinema baseado em obras de quadrinhos ganhando um perfil o qual as HQs recebiam em seu início? Sim, porque mais e mais os personagens nas páginas de quadrinhos vêm estabelecendo cronologias intrincadas e complexas, e muitas vezes uma abordagem direcionada a um perfil adulto e ousado, e então seguindo um caminho oposto nas telas de cinema, o do entretenimento rápido, de lucro certo.

Isto indicaria um ponto importante: o cinema (e os games) são o que formam, nos dias de hoje, novos fãs destes personagens. Até mesmo a televisão faz isto (com suas adaptações para animação). Mas principalmente as duas primeiras é que seguem criando e sustentado a indústria do entretenimento da arte seqüencial. Evidente que seria ingenuidade demais presumir que os quadrinhos ainda fizessem isto isoladamente, mantendo suas publicações sem o ibope e o interesse que estas adaptações geral. Entenda que editoras menores não estão sendo consideradas neste pensamento… estamos falando em montante de vendas, e Marvel e DC são, em suas proporções, os maiores expoentes neste mercado.

Os quadrinhos foram o ponto de partida para fãs muito tempo atrás, mas seu público de leitores novatos é pequeno. A luta contra esta realidade tem ganhado um aliado: o acesso às publicações por vias digitais, como smartphones, tablets e a internet por si só.

Aí, neste ponto a Marvel Comics vem tendo visão de mercado mais do que nunca antagônica à sua concorrente direta, a DC Comics.

Nota-se que os filmes da Marvel estão sendo o fio condutor junto aos leitores e consumidores de suas franquias. Se no filme Tony Stark esteve envolvido no projeto do Super Soldado, que criou o Capitão América, assim será nos quadrinhos, nas animações… a verdade absoluta que anula o que foi feito e lido antes. A padronização, que “reboota” os quadrinhos dos personagens, seus designs e suas ações anteriores. Esta estratégia iniciou-se na editora com X-Men, quando Grant Morrisson escreveu a super-equipe, e lá os mutantes aparentavam serem plausíveis, abandonando os uniformes coloridos, é porque assim foram apresentados pelo diretor Bryan Singer, quando este os adaptou para o cinema. E esta padronização vem continuando com a revista de Thor sendo re-iniciada (mais uma vez), sua origem tendo retcons através de mini-séries, etc.

A postura da DC fica sendo igualmente multimídia, mas, em contrapartida, mantêm seus dogmas cronológicos o máximo que pode, tendo (dando um exemplo) versões do Batman para diferentes desenhos animados, quadrinhos, filmes, etc. Algo até aceito e lidado pelos leitores da editora talvez pelo fato dos mesmos estarem acostumados com o conceito de “multiverso” que a DC apresenta já a tanto tempo aos seu público.

Estaria a Marvel (nos cinemas) virando entretenimento rápido e a DC (pegando o exemplo de Batman: O Cavaleiro das Trevas, e Watchmen) o oposto? O que você acha?

Mas concluindo sobre Thor, sim, é divertido, bem executado, e deixa boas expectativas para o filme dos Vingadores.
E desculpem-me se não falei sobre os demais personagens, como o Loki ficou legal, como a Natalie Portman é linda e gostosa (porque ela é, quem não percebe isso é porque não gosta da fruta), o quanto o Destruidor ficou bacana, etc…

Todo mundo vai falar isso. Preferi falar em outros aspectos. Espero que tenha sido um diferencial ao que vai se escrever por aí à respeito do filme.

Sobre o próximo logametragem do estúdio, apresentando o Capitão América, não tenho o que dizer à respeito. Todas as reticências quanto a Chris Evans (sendo Steve Rogers/Capitão) assemelham-se à escolha de Ryan Reynolds para o papel de Hal Jordan/Lanterna Verde. Pode acabar sendo o ponto em comum nas iniciativas cinematográficas de ambas editoras.

Veremos. Que isto tudo ajude nas vendas dos quadrinhos, pois como eu disse, você só vai convencer um novo leitor à ler um quadrinhos do Thor se ele achar o filme interessante. É, é assim hoje em dia.

Deixe um comentário

comments