Filme: Vida [Review]

Filme: Vida [Review]

Tenho um apreço por filmes de terror espacial, ainda mais que a maioria bebe da fonte de Alien, tem sucesso na execução. Vida surgiu com a pretensão ser uma mistura da franquia dos xenomorfos com algo no estilo Gravidade, mas se está mais para um filme previsível e um grande recorta e cola de coisas que você já viu por aí.

Um grupo de seis astronautas vindos de diferentes partes do mundo tem contato com amostras de Marte, encontrando nelas uma forma simples de vida. Após alguns estímulos, a criatura chamada de “Calvin” começa a se desenvolver de maneira acelerada, e em pouco tempo eles descobrem que o melhor seria ter deixado o marciano em seu canto. No elenco Jake Gyllenhaal, Ryan Reynolds, Rebecca Ferguson, Ariyon Bakare, Hiroyuki Sanada, Naoko Mori e Olga Dihovichnaya.

O diretor Daniel Espinosa tenta construir uma trama equilibrada, mas o filme oscila demais e não consegue manter uma progressão de tensão, intercalando momentos de perigo com uma calmaria que esfria totalmente o ritmo. Diversos elementos interessantes que são apresentados na construção da história são deixados de lado, substituídos por coisas totalmente previsíveis (incluindo o final, que tenta dar uma trollada no público mas falha miseravelmente). Com o nome “Vida”, poderiam ter desenvolvido uma história que abordasse o conceito de evolução e adaptação de uma espécie, com clima de suspense e ao mesmo tempo cabeça, porém este conceito é arranhado de leve em apenas um diálogo.

O elenco segue a linha de personagens clichês do gênero (e claro, Reynolds faz o engraçaralho), mas infelizmente você não sente empatia por ninguém, e devido a isto não se importa com quem morre ou com os problemas que vão ocorrendo (pra ser sincero eu achei a personagem de Olga carismática, mas só porque ela tem um sorriso incrível). Acredito que isto ocorre pela própria quebra de ritmo do filme, pois os momentos em que ele “esfria” para abordar algum drama pessoal dos personagens não funcionam, faltou uma direção melhor para fazer a cena ficar relevante e não apenas enfadonha. A criatura começa de maneira interessante, com um design diferente, mas aos pouco vai virando uma espécie de polvo do mal e você fica com a sensação de que já viu ela em outro lugar. O pior de tudo é quando ela ganha um rostinho, só pra ter cenas “encarando” as pessoas. Existia uma teoria que este filme teria ligação com um futuro filme do Venom, mas já foi desmentida.

Não sei se esse filme quis pegar carona nos sci-fis espaciais que têm surgido nos últimos tempos ou então entrar no embalo de Alien: Covenant, mas Vida tinha potencial de ser algo muito maior do que se tornou. Me admira que aqui no Brasil o filme tenha saído sem um subtítulo, algo comum em películas com nomes curtos. Guarda a grana do cinema pra ver Alien que parece mais promissor, deixa pra ver este na televisão de galera que pode ser mais interessante.

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