Filme: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas [Review]

Filme: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas [Review]

Nem só de super-heróis vivem as adaptações de quadrinhos para as telonas, muitas vezes somos surpreendidos com boas obras fora desse nicho também ganhando vida em carne, osso e efeitos especiais. Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é o filme mais caro já feito no cinema francês e adapta o quadrinho do autor Pierre Christin de forma divertida e sem poupar no espetáculo visual.

Os agentes Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) viajam pelo tempo e espaço para enfrentar ameaças intergalácticas. Eles são enviados até Alpha, uma grande estação que comporta uma variedade de raças diferentes coexistindo em harmonia, mas com um perigo iminente prestes a acontecer. No elenco temos Clive Owen, Ethan Hawke, Rihanna, Kris Wu, Herbie Hancock e Sam Spruell.

Tendo um universo fantástico e cheio de detalhes visuais o diretor Luc Besson trabalha um roteiro simples, dando tempo de explorar tudo que foi construído em longas cenas cheias de cores e neon que respeitam o traço de Jean-Claude Mézières. Este tempo de tela deixa o clima do filme um pouco lento e isso pode incomodar as pessoas acostumadas a um ritmo mais frenético, o que só acontece lá pro terceiro ato. O maior problema destas cenas longas é que elas esfriam o ritmo da história, logo acho que se a trama fosse um pouco melhor desenvolvida eles poderiam equilibrar as coisas. Além de bonito, o universo possui regras e mecânicas próprias que são exploradas de forma criativa, como a cena de ação no Grande Mercado ou quando a câmera transforma o filme numa viajem veloz de montanha russa (ponto alto quando visto em 3D).

Não acho Dane DeHaan um ator ruim, mas este papel pedia alguém com outro perfil. Ele não me convence como um agente de elite galanteador, sem falar que forma um casal sem química alguma com Delevingne, num relacionamento sem construção ou desenvolvimento que te façam torcer para que eles fiquem juntos. Rihanna tem uma participação “okay”, melhor do que a que fez em Battleship pelo menos. Fica inevitável a comparação com O Quinto Elemento, filme de ficção-científica de Besson que fez muito sucesso em 97, mas apesar dos enquadramentos e estética similares, faltou o carisma nos personagens e no próprio filme em si. Você facilmente lembra de Leeloo Dallas (multipass), Ruby Rhod, Zorg, já os personagens de Valerian não possuem metade desta força.

Mesmo com alguns deslizes Valerian diverte e vale pelo impacto visual e cenas criativamente divertidas. Se o filme servir para instigar as pessoas a procurarem mais deste mundo nos quadrinhos, já acho que terá cumprido um ótimo papel (eu mesmo irei procurar). Acredito que fará sucesso suficiente para ter sequências e expandir ainda mais este universo.

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