Filme: Rei Arthur – A Lenda da Espada [Review]

Filme: Rei Arthur – A Lenda da Espada [Review]

Há algum tempo tem virado moda adaptar coisas clássicas de um jeito mais épico, sejam contos de fadas ou histórias bíblicas, e não demorou muito para esta moda pegar o Rei dos Bretões. Rei Arthur – A Lenda da Espada reinventa o personagem e sua história de uma forma mais modernosa, massavéia e com ares de vídeo-game, o que o torna divertido, mas talvez acelerado demais.

A nova interpretação da lenda britânica se passa em um universo onde a magia existe, e nele conhecemos o jovem Arthur (Charlie Hunnam), que mesmo possuindo negócios ilegais, influência e contatos por toda a cidade de Londonium, possui um senso de justiça próprio ao qual tenta seguir. Sua vida muda completamente após entrar em contato com a espada mágica Excalibur, descobrindo-se como prometido que irá se tornar rei por direito, enfrentando não só seus conflitos internos, mas também a tirania do poderoso Vortigern (Jude Law). No elenco temos Astrid Bergès-Frisbey, Djimon Houson, Eric Bana, Katie McGrath e Aidan Gillen.

Quando anunciaram que este filme estaria nas mãos de Guy Ritchie, fiquei curioso pois ele é conhecido pelos filmes urbanos, com tramas que envolvem criminosos, um humor peculiar e uma narrativa dinâmica – Como seriam estes elementos aplicados a um filme de fantasia medieval? No fim das contas está assinatura do diretor está lá, e acredito que por isso o filme opta por um anacronismo no visual e na trilha sonora, reforçando que está numa realidade alternativa e fantástica. Fica nítida a influência nas cenas de ação de games no estilo “hack and slash”, onde a câmera acelera e em fica slow motion como se esperasse você apertar um botão para continuar a sequência de ataques, resultado em cenas que fariam Zack Snyder morrer de orgulho. A fotografia do filme é um dos pontos altos, com momentos dignos de uma pintura, mas infelizmente a narrativa frenética do diretor não permite que ela seja apreciada. Certas cenas fazem bom uso do ritmo acelerado de Ritchie, como no início quando mostram o crescimento de Arthur, mas em outros momentos parecem apenas videoclipes ou pedaços de trailers picotados no meio da edição.

Como no filme Drácula –  A História Nunca Contada, o Arthur desta versão passa por uma jornada muito similar a de um super-herói, ainda que não convença que ao fim da jornada ele tenha se tornado quem realmente deveria ser para merecer a Excalibur, talvez sejam coisas que eles queiram trabalhar nos próximos filmes (foi anunciado que seriam um total de seis, mas se depender da bilheteria que está tendo lá fora…. Sei não). Eu gosto do Charlie Hunnam, mas ele ainda não segura bem filmes como protagonista, sem falar que este personagem parece ter sido escrito por Ritchie para ser feito pelo Brad Pitt, no tempo de Snatch – Porcos e Diamantes, pois ele tem todo o jeitão e marra característico dos personagens do ator naquela época. Mesmo sendo clichê, o vilão de Jude Law tem muitos tons, e o ator consegue entregar bem isto na atuação.

Apesar de não ser este épico todo que está se vendendo, Rei Arthur – A Lenda da Espada é um filme divertido e bonito, mas daqueles que você esquece assim que sair do cinema. Vamos ver se a bilheteria vai permitir que eles tentem melhor numa sequência, mas por enquanto, pra mim a interpretação que vale da lenda do Rei Arthur continua sendo a do Monty Python.

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