Filme: O Assassino – O Primeiro Alvo [Review]

Filme: O Assassino – O Primeiro Alvo [Review]

Não é de hoje que Hollywood tem apreço em adaptar livros de espionagem e contra-terrorismo e grande parte delas carrega um forte teor político – o filme de hoje não é diferente. Usando como base o 12º livro do autor Vince Flynn, O Assassino – O Primeiro Alvo tenta ser o início de uma nova franquia no cinema, com um filme galgado em clichês de ação e demonização de um vilão que os norte-americanos adoram odiar.

Após um grande abalo na sua vida pessoal, o instável ex-soldado das forças especiais Mitch Rapp (Dylan O’Brien) fica obcecado com a missão de exterminar terroristas por conta própria. Recrutado pelo governo para uma nova missão, ele antes precisa provar estar apto para entrar em campo passando pelo treinamento rigoroso de Stan Hurley (Michael Keaton), veterano da Guerra Fria. No elenco Taylor Kitsch, Scott Adkins e Shiva Negar.

O protagonista vivido por O’Brien começa como um cuzão, um cara extremamente descontrolado socialmente e fanático pela sua causa. Apesar do filme procurar explorar um crescimento do personagem, para mim o objetivo não foi alcançado e eu criei pouca empatia pelo mesmo. Acredito que tentaram criar um novo Jason Bourne, até pelo estilo de filme, porém o personagem (ou talvez o ator) não tem de longe o mesmo nível de carisma, tanto que em certo ponto do filme cheguei a pensar que o protagonista seria o veterano vivido por Keaton no desafio de controlar Rapp. Na verdade nenhum personagem tem muito carisma e os diálogos não favorecem em nada para estabelecer vínculo com os mesmos, logo você não se importa muito com o rumo que o filme toma no decorrer da trama.

As cenas de ação e o discurso maniqueísta político foram as bases escolhidas pelo diretor Michael Cuesta para este filme. Todo o discurso patriota heroico contra os malvados terroristas islâmicos miram num público crescente nos EUA em tempos de Trump, querendo algum inimigo para odiar, e fica ainda melhor se eles tiverem traços do oriente médio. Apesar de ser bem feita tecnicamente, a ação é um clichê de tudo que já vimos em outros filme do gênero e tudo se encaminha para um clímax homogêneo, parecendo um episódio de seriado e não algo épico como a pretensão do filme levava a crer que seria. Mesmo a fotografia do filme com tons mais saturados e uma atmosfera fria muito bem feitos não são nada originais.

Com a originalidade passando longe, O Assassino – Primeiro Alvo é mais um filmeco de ação pretensioso e genérico que pega o inimigo da moda como vilão, reforçando estereótipos em uma trama insossas que só serve para conectar cenas de ação. Talvez até façam mais filmes para esta franquia, mas não acredito que serão muito melhores que esse.

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