Filme: Malasartes e o Duelo com a Morte [Review]

Filme: Malasartes e o Duelo com a Morte [Review]

Além dos filmes de favela e do Tony Ramos trocando de corpo, o cinema nacional costuma trabalhar bem a fantasia regionalista mesmo que de forma caricata. Malasartes e o Duelo com a Morte segue esta linha, com a história de um personagem matuto que precisa escapar de um acordo sobrenatural.

Vivendo uma vida simples no campo, o jovem Malasartes (Jesuíta Barbosa) é conhecido por sua esperteza e malandragem, sempre enrolando sua namorada Áurea (Ísis Valverde) e fugindo do irmão da moça, Próspero (Milhem Cortaz). No dia do seu aniversário ele conhece seu padrinho, nada mais nada menos que a Morte (Júlio Andrade), que na busca por um sucessor oferece um acordo com ao rapaz. No elenco Leandro Hassum, Vera Holtz e Augusto Madeira.

Como a maioria dos filmes que seguem esta linha, o diretor Paulo Morelli apresenta algo bem teatral, com atuações exageradas e performances físicas para enaltecer as emoções. Apesar de lembrar uma onda meio O Auto da Compadecida, o filme parece um pouco mais contido, como se tivesse medo de abraçar a proposta totalmente. O personagem Pedro Malazartes (com Z) foi vivido por Mazzaropi, e aqui eles procuraram trazer uma versão mais jovem e atualizada do mesmo, mantendo o mesmo espírito de malandro com bom coração (só que agora com alguns efeitos especiais no estilo Syfy). Além de achar este arquétipo um saco, acredito que faltou algo no filme para justificar a alcunha de “o homem mais esperto do mundo”, forma como se referem a Malasartes em alguns momentos.

Nem todo o elenco fala da forma caricata do caipira, o pessoal do plano da Morte fala como as pessoas de hoje em dia, o que ao meu ver destoa um pouco. Que eles falassem então de um modo mais rebuscado e antigo, assim daria mais característica aos personagens. Destaco a atuação de Júlio Andrade como uma Morte que está mais para diabo e o excelente trabalho de Augusto Madeira, que além de ser um ótimo alívio cômico entrega um personagem coadjuvante mais interessante que o próprio protagonista. Leandro Hassum (que na época do filme ainda estava gordo) faz um humor que não encaixa com a proposta e clima do filme, como se estivesse numa sketch clichê da Globo.

Gostei de ver a releitura moderna do personagem, mesmo achando que poderiam ter acertado a mão no tom do humor e usado efeitos mais práticos para tornar o sobrenatural mais interessante (já que a proposta é ser teatral…). Mesmo com alguns deslizes o filme  é uma diversão leve e quase projetada para Sessão da Tarde.

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