Filme: Kingsman – O Círculo Dourado [Review]

Filme: Kingsman – O Círculo Dourado [Review]

Os quadrinhos de Mark Millar costumam render filmes interessantes, conseguindo ser divertidos mesmo quando fogem da obra original. Após a boa surpresa que foi seu antecessor, Kingsman – O Círculo Dourado expande de forma superficial o universo dos super-agentes que metem porrada com classe.

Após ser hackeada por dentro a agência dos Kingsman é exterminada em um grandioso ataque orquestrado pela poderosa narcotraficante retrô Poppy (Julianne Moore). Jurando vingança pelos seus companheiros, Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong) recorrem ao apoio dos Statesman, a versão norte americana dos Kingsman. Eles terão que deixar as diferenças de lado para descobrir o que a vilã anda espalhando em suas drogas pelo mundo. No elenco Colin Firth, Sophie CooksonHalle Barry, Channing Tatum, Pedro Pascal e Jeff Bridges.

O grande trunfo do primeiro Kingsman foi ter chegado de surpresa, desconstruindo com muito sarcasmo, ironia e violência os filmes clássicos de super-espiões. Uma sequência era inevitável, só que desta vez a carga da expectativa tornou-se um fator relevante e o diretor Matthew Vaughn provavelmente levou isto em conta, pois o filme é todo construído sobre o primeiro, não poupando nos flashbacks e citações (ainda assim acho que o primeiro deve ser visto antes deste). As cenas de ação são todas bem trabalhadas, com a câmera passeando no meio da luta e emulando o que foi visto na famosa “cena da Igreja” do primeiro filme – infelizmente nenhuma cena deste tem o mesmo impacto daquela. Apesar de ser mais do que já foi visto, os combates e a comédia de Vaughn são elemento muito particulares de sua narrativa e valem a revisita. Novas coisas são apresentadas, mas todas de uma forma rasa e pouco desenvolvida, assim como algumas antigas também são mal-aproveitadas e descartadas displicentemente.

Entre os novos elementos apresentados estão os Statesman, versão estadunidense dos agentes secretos mas com codinomes voltados a bebidas. O contraste dos cowboys grosseiros com os britânicos certinhos é divertido e rende boas piadas, mas a forma superficial que abordam a organização deixa um gosto de quero mais e eu não duvidaria se fizessem um spin-off dos mesmos. Destaque para o “Super Beto Carrero” vivido por Pascal com seu chicote laser, para Jeff Bridges que sempre evoca um sotaque e maneirismos caipiras característicos quando faz este tipo de papel no cinema (vide Bravura Indômita e R.I.P.D.) e para a participação de um certo cantor que não vou dizer o nome mas rouba a cena. Seguindo a linha dos vilões megalomaníacos, Poppy é ainda mais excêntrica e surreal que o personagem de Samuel L. Jackson, ainda que ambos tenham em comum uma base sobre alguma crítica aos tempos atuais. Por trás de toda a sua psicopatia e planos vilanescos, Poppy é uma mulher de negócios querendo uma melhor regulamentação para seu produto.

Segundo o diretor, o filme teve algumas coisas cortadas durante a produção para não ganhar um teor político e ser apenas escapista, mas ainda assim fica evidente um forte teor político do começo ao fim. Os discursos da vilã são expositivos ao defender a legalização de drogas e o presidente dos EUA é retratado de uma maneira patética, com um pensamento egocêntrico, preconceituoso e lembrando muito um certo presidente topetudo (detalhe que o filme foi feito enquanto Trump ainda era apenas candidato). Toda obra é política ao seu modo e os temas abordados aqui dialogam com muito do que vem acontecendo com o mundo, ainda que de uma forma sarcástica para se encaixar no teor do filme.

Acredito que o “Círculo Dourado” do título tem um significado maior que apenas a organização da vilã, pois o filme também trata de ciclos entre o primeiro filme e o segundo, trata de círculos de confiança e novas alianças. Ainda gosto mais do primeiro pelo efeito de novidade, porém Kingsman –  O Círculo Dourado diverte bastante e traz coisas interessantes que espero terem um melhor desenvolvimento em uma futura sequência.

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