Filme: A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell [Review]

Filme: A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell [Review]

Diversas obras da cultura oriental já foram adaptadas por Hollywood sem sucesso, o que nos faz ficar com o pé atrás quando uma nova é anunciada, mas desta vez temos um ponto fora da curva. A Vigilante do Amanhã – Ghost in the Shell é competente na adaptação do popular sucesso oriental, apresentando um visual rico e uma trama interessante.

Num futuro não muito distante, os humanos passaram a usar aprimoramentos tecnológicos para melhorarem seus corpos e seus cérebros, e nesse cenário acompanhamos a Major (Scarlett Johansson), uma mulher que teve seu cérebro colocado em um corpo mecânico e tornando-se a primeira pessoa a passar por este procedimento de forma bem sucedida. Ela passa a integrar a Seção 9, um esquadrão de elite especializado em combater crimes cibernéticos e prestes a enfrentar uma ameaça que questiona os limites de todos estes avanços. No elenco Pilou Asbæk, Takeshi Kitano, Juliette Binoche, Michael Pitt, Chin Han, Peter Ferdinando e Rila Fukushima.

Um dos pontos mais chamativos de um cenário cyberpunk é o aspecto visual, e o diretor Rupert Sander conseguiu encher a tela com planos que exploram um mundo quase lisérgico de tantas cores e luzes, misturadas entre os arranha-céus e auto-estradas futuristas. As coisas funcionam bem na tela, ainda mais que foram usados muitos efeitos práticos para dar mais veracidade a tudo. O nível tecnológico desta versão é levemente inferior ao do mangá e anime, tanto que não vemos os “fujikomas” e que a Major é a primeira ciborgue de seu tipo. Algumas cenas são representações fiéis da animação, e por mais que possam parecer apenas easter eggs gratuitos, souberam encaixá-las muito bem na trama. O autor Masamune Shirow é famoso por abordar temas filosóficos e existenciais na sua obra, e este filme arranha de leve estes temas, talvez para não espantar o público em geral. A violência gráfica que nos mangás e animes beira o gore também deve ter sido suavizada pela mesma razão. Acredito que o ponto fraco do filme ocorre no terceiro ato, pois na hora de revelar os segredos da trama algumas coisas ficaram forçadas, e outras se tornam clichês para que possa ter um seguimento na franquia.

Os atores encarnam muito bem a personalidade dos personagens, com algo mais próximo ao anime que o mangá (pois este último tem um tom de humor que não está presente na animação). Aconteceu uma polêmica quanto a um possível “whitewhashing” na ocidentalização da protagonista e outros elementos, mas ao ver o filme você percebe que houve uma preocupação com a diversidade e um respeito a base original, e até mesmo o caso da Major é muito bem explicado (até porque um corpo cibernético pode ter a aparência étnica que quiser). Scarlett rouba a cena quando surge na tela, tanto pela fidelidade na aparência da protagonista quanto pela postura dura e levemente robótica, fazendo com que realmente pareça ter um corpo artificial.

Devido ao péssimo histórico de adaptações Hollywoodianas para produções japonesas, Ghost in the Shell corria um sério risco de ser mais uma decepção, mas os produtores foram competentes e entregaram algo que respeita a essência do original mesmo sendo um blockbusters. Se você precisa de mais razões para correr pro cinema, confere na rede as dezenas de vídeos mostrando os bastidores da produção e abraça o hype!

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