Filme: A Morte te dá Parabéns [Review]

Filme: A Morte te dá Parabéns [Review]

A mecânica de estar preso no mesmo dia popularizada por Feitiço do Tempo já foi usada a exaustão em outros filmes, séries e afins, mas ainda assim é interessante quando alguém se propõe a combinar ela com algo novo. A Morte te dá Parabéns brinca com os clichês deste recurso e dos slasher movies muito bem, mesmo que com algumas derrapadas.

A trama acompanha a jovem Tree (Jessica Rothe), uma patricinha mimada que após uma noitada daquelas acha que terá um dia de aniversário tranquilo, mas enquanto vai para uma festa é assassinada por um mascarado misterioso (com uma máscara que parece o Zacarias dos Trapalhões). Estranhamente ela acorda novamente no mesmo local onde havia acordado da última vez, repetindo o dia de seu aniversário e sempre sendo assassinada de uma forma diferente. Agora Tree terá que solucionar sua morte e tentar quebrar este ciclo fatal. No elenco Israel Broussard, Charles Aitken, Jason Bayle e Rachel Matthews.

Logo de cara você percebe que o filme do diretor Christopher Landon não se leva a sério, passando longe de ser um filme de terror e trabalhando de forma bem-humorada os conceitos e estereótipos vistos em franquias como Pânico e Halloween. O uso da mecânica de dia em ciclo acrescenta um tempero interessante a tudo isto. A vantagem de se trabalhar com conceitos estabelecidos é a facilidade de poder manipular o público, direcionando ele para um lugar comum e logo em seguida subvertendo tudo, recurso aqui usado do começo ao fim. Existe um mal aproveitamento dos elementos colocados para serem ganchos durante a repetição do dia, pois o filme dá atenção a várias coisas que acabam não sendo exploradas (diferente de Feitiço do Tempo, que usa muito bem cada coisa mostrada em tela para dar movimento a história). Existe também um elemento de urgência apresentado na metade do filme que em pouco tempo desaparece, tirando assim todo o valor que ele poderia ter na trama.

Rothe tem uma atuação que me lembrou muito Sarah Michelle Gellar durante a era de ouro dos filmes teens. Além de esbanjar carisma ela faz o público se importar com Tree, ainda mais por ela se enquadrar no padrão “protagonista escrota que vai se tornando uma pessoa melhor durante as repetições do mesmo dia”. O filme da pinceladas sobre o passado da personagem que são trabalhados lá no fim, acrescentando um pouco mais de camadas a mesma. Todo o resto do elenco é formado por estereótipos como a líder de fraternidade arrogante, o garoto nerd e tímido que tem bom coração e gosta da protagonista (e tem um amigo malucão), o professor atraente com quem ela tem um caso, etc. Acredito que os personagens seguem este perfil, muitas vezes raso e sem aprofundamento, para evocar os filmes adolescentes do final da década de 90 e anos 2000.

Mesmo sendo um filme pipocão feito para curtir de galera e dar boas risadas, eu ainda acho que dá para se levar algo bacana no final da película – ou talvez eu tenha sentido isso por me remeter a nostalgia de Feitiço do Tempo. Se você procura um filme de “terrorzão” pode ficar decepcionado, mas se gosta de filmes adolescentes e desencanados vai se divertir bastante.

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