MARKETING MORTAL

MARKETING MORTAL

Recentemente assisti ao longa animado “A Morte do Superman”, baseado nas histórias do Homem de Aço que foram publicados no início da década de 90. Embora a história seja uma das mais marcantes do personagem também é mais criticada, principalmente por seu roteiro.

Houve muito, mas muito alarde na época sobre essa história, não que eu já não tinha visto o herói morrer antes (só no seriado Superamigos foram duas vezes), soou como algo tão oficial que esperaríamos algo épico. Demais mídias noticiaram o fato num tratamento muito incomum para uma HQ.

Mas qual o problema da “Morte do Superman”?

O problema esta no simples fato de ser vendido como “a Morte do Superman”. Para entender melhor isso vamos a trama:
Uma criatura aparece no meio dos EUA e começa uma trilha de destruição sem precedente, a Liga da Justiça (da época: Besouro Azul, Gladiador Dourado, Fogo, Gelo, Guy Gardner – usando o anel amarelo do Sinestro Máxima e o misterioso Bloodwild) é acionada para deter a criatura sem nenhum sucesso.
Então chega o Superman (o líder desta formação) que a duras penas percebe que o monstro é muito forte até para ele. No entanto ele é o único herói capaz de fazer frente a criatura. Culminando num devastador confronto.

Simplório, não é? Quer dizer, o monstro chamado de Doomsday (Apokalipse) foi criado especialmente para matar o herói sem qualquer propósito anterior ou posterior. Em outras palavras seria uma versão do Hulk no universo DC (acho que deveria ser assim).
Mas o que gostaríamos? Que o Superman fosse morto pelo Lex Luthor? Darkseid? Homem-Brinquedo? Não. Seria muito óbvio, não acham? Ou sim, seria o mais apropriado?
Na dúvida, considero que até Apokalipse mais apropriado na ocasião. Mas sua introdução poderia ser melhor trabalhada posteriormente ao evento. O mistério em torno de sua origem foi até atraente, em minha opinião, eu imaginei que ele fizesse parte do Projeto Cadmus (projeto genético secreto do governo, que procurava reproduzir os poderes do Kriptoniano), mas não seria algo tão simples, claro.

A trama rolou bem até certo momento. O embate se estendeu em inúmeras edições diferentes o que deixou num aspecto de confusão com o batalhão de personagens que entraram na briga.
Deveriam ter trabalhado no dilema do Super enfrentar uma criatura capaz de realmente matá-lo com as próprias mãos e na questão se deve ou não deixar de lado suas convicções e matar a criatura.
Sua morte seria um sacrifício pessoal a todos que protege preparando o terreno para a sua eventual ressurreição onde haveria uma reavaliação do conceito do herói (o máximo que aconteceu foi o cabelo comprido).

Algumas coisas eu gostei como a reação de Lex Luthor que ficou furioso por não ter sido responsável pela morte do herói.
Depois disso, o corpo do homem de aço desapareceu e surgiram quatro supostos Super-Homens em seguida: o Aço (um sujeito usando uma armadura com expressões faciais), o Erradicador (que outrora era um artefato Kriptoniano que tomou forma humana e responsável indireto pela volta do heroi), Superboy (o clone e na minha opinião o melhor personagem do grupo), o Super Ciborgue (um Super em versão Terminator que logo se revela um vilão).
É claro que a morte do homem de aço não seria permanente, isto seria óbvio notar. O que se deveria explorar seria um Universo DC sem o seu principal herói as conseqüências. Até é sub-entendido isso, mas com pouco impacto.

Mas não reclamo muito da saga, pois existiram coisas mais bizarras, como “A Morte de Clark Kent” e o “Superman de energia” (ele até se dividiu em dois!).

Só para citar exemplos mais bem sucedidos, temos a Morte do Capitão América. Bem sucedidos, pois inicialmente houve (ou não) um vazamento de informações sobre o acontecido o que acarretou num “marketing acidental” em cima da morte do herói que seria a grande surpresa da saga Guerra Civil que já citei em artigo anterior. Muito melhor administrado e coerente.
Ah! O Capitão vai retornar este ano! Fazer o que? No mundo dos heróis, os fãs/editores saudosistas não aceitam substitutos… Vide o Lanterna e o Arqueiro Verde e outros…

Não deixe que o Marketing conte a história por você.

Por Rogério de Souza 
(Artista do Dinamo Studio – monitor do Curso Dinamo HQ, autor da série de quadrinhos/cartum OS DEBILOI’S)

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