Mágico Vento [resenha]

Mágico Vento [resenha]

Resenha de Jackson Good, publicada originalmente no site 1000combos.

 

Hoje irei inovar um pouco e falar sobre um quadrinho excelente, que poucos conhecem: Mágico Vento.

Trata-se de um fumetto, ou seja, HQ italiana. Alguns podem ter ouvido falar do Tex, também conhecido como “gibizinho preto e branco de faroeste do tempo do meu avô”. Publicado até hoje, e muito bom, aliás. Mágico Vento é da mesma linha, só que mais recente. A série começou na Itália nos anos 90 e a editora Mythos trouxe pro Brasil em 2002.

Mas de que trata essa série, afinal? Também é um faroeste, mas muito mais profundo, maduro, adulto e etc. O protagonista é Ned Ellis, soldado que foi ferido na explosão de um trem. Com uma farpa de metal cravada no cérebro, ele perde todas as memórias, mas ganha o dom de ter visões e premonições. Salvo da morte por um velho xamã índio, Ned recebe o nome de Mágico Vento e se torna aprendiz de feiticeiro (hehe) e membro da tribo Sioux. Seu amigo e parceiro de aventuras é Poe, um jornalista alcoólatra sósia de Edgar Alan Poe.

A partir daí, a série se desenvolve cada vez mais, e aborda muitos temas: cultura indígena, com costumes, lendas e tal; terror, com as criaturas mais bizarras enfrentando o herói; História, mostrando com realismo absurdo como foi o Velho Oeste americano, inclusive aparecendo personagens reais (General Custer, Touro Sentado e vários outros); política, com Ned envolvido com intrigas governamentais em tramas dignas dos melhores filmes de espionagem. Tudo isso com muita ação típica do Western, com tiroteios a rodo.

Um dos detalhes mais interessantes é que aos poucos vão sendo revelados detalhes do passado de Mágico Vento. O leitor descobre as coisas junto com o herói, uma fórmula que nunca falha. Cada edição tem uma história específica, que pode ser lida separadamente, mas há um plot central que vai aos poucos se desenhando. E é de explodir cabeças.

O criador e roteirista da série é o genial Gianfranco Manfredi. Na Itália ele é um famoso roteirista de cinema, TV, livros e claro, quadrinhos. Seus roteiros em Mágico Vento são embasados em muita pesquisa, o que garante uma verdadeira aula a cada edição. A equipe de desenhistas conta com vários artistas espetaculares, um dos melhores é o croata Goran Parlov. Alguns aí devem ter visto o trabalho dele em Justiceiro MAX, nas histórias com o Barracuda. O traço do cara ficou legal colorido, mas em P/B ele simplesmente HUMILHA.

Enfim, eu poderia escrever páginas e mais páginas sobre essa série fantástica, mas fica a dica. Se alguém tem preconceito contra faroeste, gibis preto e branco ou que for, Mágico Vento merece o benefício da dúvida. Pode ser a porta para um mundo novo, um estilo bem diferente de HQ, que infelizmente é bem menos conhecido do que comics e mangás.

Jackson Good (site 1000combos)

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Um comentário sobre “Mágico Vento [resenha]

  • Realmente essa série é muito boa, cujo eu sou fã. Vale a pena dizer também que ela já encerrou na Itália no ano passado no número 131. Mas como ainda faltam serem lançadas aqui até o momento 40 edições, vamos ter Mágico Vento no Brasil até 2013.

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