Jack Kirby: Longa vida ao Rei!

Jack Kirby: Longa vida ao Rei!

O escritor e pesquisador, jornalista ROBERTO GUEDES, parceiro e amigo do Dinamo Studio, gentilmente nos permitiu publicação de um belo artigo escrito por ele, publicado em seu blog, falando sobre a importância de um dos mais importantes autores de comics do mundo, que deixou este mundo no dia 7 de Fevereiro de 1994.

Confira abaixo o artigo.

Entre deuses e demônios
Nascido Jacob Kurtzberg em 28 de agosto de 1917, na baixa zona leste de Nova Iorque, Jack Kirby quase sucumbiu à pneumonia quando garoto. Escapou da morte, dizem, devido à intervenção de rabinos exorcistas, que, literalmente, botaram o capeta pra correr do corpo daquele garotinho, filho de imigrantes judeus.

Tal experiência o marcaria profundamente, tanto em nível pessoal, quanto profissional. De acordo com o biógrafo Roy Wyman “a vida de Kirby foi tomada pelo misticismo da fé e da superstição”, o que pode ser denotado em boa parte de seus trabalhos de caráter autoral, como Novos Deuses, Eternos, Etrigan o Demônio, e, até mesmo – por que, não? – em O Incrível Hulk (da parceria com Stan Lee), uma mistura literária e macabra de Frankenstein com O Médico e o Monstro.

Até hoje muitos me perguntam por que Jack Kirby é conhecido como o “Rei dos Quadrinhos”. Que teria feito ele, assim, de tão especial para receber tamanha honraria? A melhor resposta continua sendo o seu – praticamente – imensurável corpo de trabalho. Seu apelido, “Rei” foi dado por ninguém menos que Stan Lee, o cara mais importante dos Quadrinhos americanos no século 20 (de acordo com os leitores da Comic Buyers’ Guide, e de um monte de gente que não tem coragem de admitir isso), o que só confirma a magnitude de sua obra.

Uma pessoa com o mínimo de bom senso e conhecimento das técnicas de linguagem dos Quadrinhos perceberá que a narrativa visual de Kirby é algo que pulsante e soberbo (!), e que seus personagens exagerados são mais do que perfeitamente plausíveis dentro do espaço limitado de uma folha de papel.

Já para o leigo, bastará uma olhada em qualquer uma de suas páginas para, instintivamente, maravilhar-se com seu visual acachapante e conceitos delirantes – produtos de uma mente genial sem par, acima ou abaixo da linha equatorial.

Ele não criou o Homem-Aranha, não teve a idéia de lançar o Quarteto Fantástico, não escrevia bem como seus parceiros, e tampouco desenhou o uniforme original do Capitão América. Ainda assim, seu nome é reverenciado em todo o comicdom, sendo considerado o mais prolífico e influente dos desenhistas, o mais criativo dos autores, e o único talento da indústria das HQs sem concorrência.

O rei se foi em fevereiro 1994, mas sua obra ainda perdura nos melhores gibis perto de você.

Tá falado!

Texto © Copyright Roberto Guedes. Todos os direitos reservados.

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