INVENCÍVEL [resenha]

INVENCÍVEL [resenha]

Lendo Invencível, não pude deixar de ter um ar de nostalgia com relação ao trabalho publicado pela editora HQ Maniacs (que possui um website com novidades sobre quadrinhos em geral). Como muitas pessoas ligadas a esta área (quadrinhos), e acompanhando a imprensa especializada, eu já ouvira falar da série Invencível, projeto desenvolvido pelo roteirista  Robert Kirkman, em parceria com os artistas Cory Walker e (em seguida) Ryan Ottley. No corre-corre dos trabalhos com HQs, as vezes o prazer na leitura da arte-sequencial se resume a rápidas olhadelas, acompanhando a continuidade básica, e em momentos de calma constatar se o que temos em mãos é uma leitura corriqueira ou algo memorável.

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Ao ler os 3 atuais volumes de Invencível, lançados pela editora aqui no Brasil, já a estética visual do trabalho de Walker e Ottley agradou-me. Como desenhista, sei que, ao contrario do que muitos acham, desenhos em linhas claras são mais difíceis do que os cheios de sombras (pois muito da arte fica exposta, sendo preciso dosar detalhes, etc). Nota-se qualidade no trabalho dos dois artistas da série. Já o roteirista estava na minha lista do “tenho-que-ler-algo-dele”. Muito elogiado pelo modo singular como trata os personagens que escreve e como encaixa-os ao conturbado universo dos comics, Kirkman é apontado como um sopro bem vindo de novidade ao gênero.

Mas a gente precisa conferir, não é? E eu fui e li. De uma vez só. O material é muito legal! Imaginem um adolescente (seu nome é Mark Grayson), que descobre ter (finalmente) super-poderes. Digo “finalmente” pois ele já esperava (por ser filho de um dos maiores super-heróis do mundo). Simples e previsível. Mas o cativante é o modo como a história é contada, em diversas camadas de interpretação. Mark leva uma vida simples, tem amigos, namorada, freqüenta a escola, trabalha (no primeiro volume da série, em uma rede de fast food – sim, ele frita batatas e salva o mundo). Acaba conhecendo heróis com sua faixa etária, combate vilões, realiza feitos incríveis. Porém tudo com uma naturalidade tamanha… que em um momento você até se pergunta – “ah, mas eu quero dramas psicológicos, mega-sagas, etc”. Mas invencível é despretensioso, e ainda oferece tudo isso. Tanto que a coisa fica pesada no volume três… tão pesada que não quero entregar o ouro, pois seria um belo spoiler, e a surpresa é inesperada mesmo. E sobre o fato da não pretensão de ser fantástica ao extremo, basta ver o modo como o personagem título encara a vida de super-herói, sendo filho do figurão dos supers, sem faniquitos psicológicos. Eu curto histórias densas,

complexas também. Mas nos três volumes de Invencível vemos um trabalho que nos lembra como este gênero pode entreter também.

A nostalgia que citei antes está por parte nas cores (aplicadas com ponderação e bom gosto por Bill Crabtree), na limpeza de traço e principalmente na narrativa. Aventuras em cores planas, como os desenhos animados que esperávamos  todas as manhãs de domingo. Coisas legais entre os personagens (emblemáticos à sua forma) como a mãe de Mark: ela é a segurança em pessoa. Em um momento expecifico, nota-se como aquela mulher é forte, e leva sua família com mais bravura que o marido e o filho super-heróis. E o personagem Robô (este é seu nome) é tão cheio de si que chega a ser propositalmente engraçado e irritante. E a Atômica, então… linda a ponto de ser um pecado colocar-lhe uma máscara quando esta usa seu uniforme.

Se você achar não achar em comics stores e livrarias, tente direto no site da editora.

Daniel HDR
Coordenador e Instrutor do Curso Dinamo HQ

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