“Hulk – Futuro Imperfeito” (1992)

“Hulk – Futuro Imperfeito” (1992)

hulk-futuro-imperfeito_1_Argumento: Peter David
Arte: George Pérez
Cores: Tom Smith

Editora Panini, relançado em Janeiro/2014, 148 páginas, capa cartonada, lombada quadrada.

Viagens no tempo e realidades alternativas em geral apenas criam problemas. Veja o caso dos X-Men. Cable, Nate Grey, Dias de Um Futuro Esquecido, Planeta X, abordar o tema de Terras alternativas no histórico recente da Marvel é bagunçar a cronologia quase que sem conserto, pois a cada novo roteirista que assume parece que existe a necessidade de bolar algo inovador – e nunca é.
Dizer que Fabian Nicieza, Scott Lobdell, Rob Leifeld e Whilce Portacio realmente conseguiram criar ALGO que presta nos anos noventa parece até covardia. Até hoje sinto calafrio quando ouço os nomes “Agenda de Extermínio”, “Canção do Carrasco” etc etc tamanha a ruindade de arte (aquele pastiche pavoroso da Image) e dos roteiros que conseguiam ser mais confusos e chorosos que os do Chris Claremont.

Mas… Dê a liberdade de criar uma história abordando as mesmas dimensões e futuros para um escritor como Peter David e ai é outra história.

Um verdadeiro pedreiro das HQs David é responsável por fases excelentes de X-Factor, Hulk, Young Justice, as quadrinizações para os livros “A Torre Negra” de Stephen King e ,claro, a sua fase do Aquaman barbudo e com gancho – em minha humilde opinião muito melhor que esta fase New 52.

“Futuro Imperfeito” é o encontro de David com outro gigante das HQs : o desenhista George Perez. Nela vemos o Hulk (na fase do Panteão, mais inteligente) num futuro indeterminado onde não há mais heróis. Eles foram todos mortos pelo Maestro, um ser super-poderoso que conseguiu entre outras coisas destruir a prancha do Surfista Prateado e o escudo do Capitão América (numa cena vemos o martelo de Thor, parte da armadura do Homem de Ferro,etc).
Hulk trazido do passado auxilia um centenário Rick Jones que lidera um exército de resistência ao Maestro.

E então sabemos que o tirano nada mais é que uma versão envelhecida e aparentemente mais forte do Hulk. O combate é inevitável e vemos um herói na plenitude de sua fase adulta contra sua contra parte cínica, impiedosa e genocida.

A solução final é “como música” para os ouvidos.

A arte de Perez é o padrão: nada mais que soberba, com a riqueza de detalhes que apenas ele é capaz de fazer nas limitações das páginas de quadrinhos. Detalhamento, fluidez narrativa… vemos um artista na magnitude de sua exuberância traçando os cenários para o roteiro ágil de David.

Hulk é um personagem que passou por dezenas de fases. Seja na fase clássica com Stan Lee e Jack Kirby , com John Buscema, ele também teve ,claro, muita porcaria. Mas por seu próprio caráter de personagem solitário isso possibilitou experimentações interessantes como a fase da Encruzilhada (de Bill Mantlo e Sal Buscema), a curta passagem de John Byrne (ficção científica) e no terror mais intenso (a fase de Mike Deodato).

A fase do Panteão não é propriamente minha fase favorita do Gigante Esmeralda mas é inegável o talento de Peter David em sua fase, principalmente na construção de histórias mais curtas, falando de personagens secundários como Rick Jones, o ex-parceiro Jim Wilson, Betty Ross, etc.

E nesta mini-série a dupla David/Pérez conseguiu contar de forma simples o encontro do herói com seu possível futuro sombrio, daquele lado que ele tanto teme e que se não se controlar pode realmente comprometer o futuro do Universo 616.

A versão encadernada da Panini incluiu também a história “Hulk – O Fim” também de Peter David e Dale Keown (desenhista regular da fase do Panteão), uma história melancólica, bem triste na verdade que narra o fim dos dias para o herói em OUTRO futuro alternativo.

Nota 9,0

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