Sarjeta do Terror – Beladona

Sarjeta do Terror – Beladona

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Eu sempre digo que fazer terror nos quadrinhos é uma tarefa para poucos, e não falo isso de forma leviana. Enquanto um livro de terror usa as palavras para despertar reações emocionais e experiências sensoriais, e um filme é capaz de reproduzir estas experiências sensoriais de forma bem fiel (movimento, som…), os quadrinhos caminham num meio termo perigoso: nem totalmente subjetivo, nem valendo-se de elementos como movimento e som, que podem ser fundamentais para a criação da atmosfera e para causar a reação necessária.

Numa hq de terror, é necessário encontrar o equilíbrio entre a imagem e a narrativa, além de trabalhar as técnicas do meio da melhor forma possível a fim de causar as reações emocionais desejadas. Neste caso, nem sempre a melhor estratégia numa HQ de terror é o apelo gráfico, por exemplo, puramente sensacionalista e exagerado. Às vezes a melhor maneira de fazer terror nos quadrinhos é ir justamente para o lado oposto, e ser mais sutil – o que não significa ser menos impactante.

beladona 1Em Beladona, a roteirista Ana Recalde (que os ouvintes do ArgCast certamente conhecem) faz muito bem este trabalho de evitar apelar para o óbvio, criando ao invés disso um mundo próprio onde o terror emerge da própria narrativa e da jornada dos personagens.

Para quem não conhece, Beladona é uma HQ que é lançada semanalmente no site do coletivo Petisco e conta a história de Samantha, uma menina atormentada por pesadelos terríveis todos os dias desde os 7 anos de idade. É claro que estes pesadelos não acontecem por acaso.

A história se passa em dois mundos: Um deles é o Rio de Janeiro. Mas não o Rio de Janeiro mítico das praias e estereótipos turísticos, e sim o Rio de Janeiro do dia a dia. O segundo dos mundo é a realidade dos pesadelos, onde se passa a maior parte da história. Lá Samantha é perseguida constantemente por espíritos que a atormentam – e obviamente querem seu mal, ou então não haveria drama. Tudo isso tem, é claro, um propósito sinistro maior, que a levará a uma jornada com momentos de superação, descoberta, euforia, depressão e violência. Dizer mais do que isso seria dar spoilers desnecessários.

O interessante de Beladona é que a história não fica presa a uma fórmula específica de terror, variando do susto ao terror psicológico, sempre mantendo um clima de suspense e um ritmo constante.

beladona2Além dos roteiros da Ana, incremente à história a arte de Denis Melo, que busca sempre trabalhar a narrativa, as cores e o traço de forma a caracteriza da maneira mais fiel e interessante ambos os mundos retratados na história. Até por que é na arte que reside a relação direta do leitor com a história, e traduzir de forma eficiente o clima da história é fundamental numa hq de terror.

É bem provável que você já tenha ouvido falar de Beladona – possivelmente também tenha lido. O motivo pelo qual eu estou fazendo este post é por que a hq merece ser lembrada como uma das boas histórias de terror nacional da nova safra, e definitivamente vale a leitura.

Beladona também está no Catarse, arrecadando fundos para a publicação de um livro impresso da hq em parceria com a Avec Editora. Além da vantagem de ter Beladona na sua estante, a versão impressa contará também com dois capítulos exclusivos. Então, se você já leu Beladona, passe no Catarse e contribua. E, se ainda não leu, não perca tempo, vá no site do Petisco e Correa atrás do tempo perdido.

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Beladona no site do Petisco
Beladona no Catarse

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