Sandman Apresenta: Destino… Caçadores e Fúrias

Se você está para ler esta notícia agora, saiba que o Livro do Destino pode estar, em algum

Destino – Crônicas de Mortes Anunciadas

lugar, por algum momento, a sua disposição. Então, deixe de lado tudo o que está fazendo,  vá até a banca mais próxima e adquira já um exemplar deste fabuloso grimório. Pode ir, eu espero…

Eu espero, o Sonho espera, a Morte também é paciente, Delírio, Desejo e Desespero também podem ser controladas e assim, elas esperam; até mesmo Destruição pode ter sua chegada retardada (mas por pouco tempo!), todos eles(as) esperam sua vez de se manifestarem… mas Destino não!

Destino chega quando tem que chegar, ele simplesmente acontece, sem anúncio, sem predestinação, ele muda a sua vida para o mal ou para bem. E tudo o que você pode fazer é culpá-lo. Não há como retardá-lo, e por isso, o Destino não irá esperá-lo… Tá fazendo o quê que não foi até a banca ainda !?

A Editora Panini, traz até as bancas brasileiras, em sua coleção Sandman Apresenta,  Destino: Crônicas de Mortes Anunciadas. Um livro-gibi de excelente qualidade gráfica e não menos fantástica trama onde conhecemos uma história dividida em três capítulos sobre um dos irmãos mais misterioso de todos os Sete.

A história, roteirizada por Alisa Kwitney (romancista e escritora das séries The Dreaming, Vertigo Vision e Arquivos Secretos, entre outras), traz a incrível arte moderna e gótica de Kent Williams (Hellblazer, Blood), os desenhos bizantinos de Michael Zulli (The Sandman, Bruxaria) e as ilustrações exóticas de Scott Hampton (Lúcifer), fala sobre diversas pestes que assolam (e assolaram a humanidade) e como o Destino se envolve com cada uma delas.

O conto é o típico estilo Sandman. Ou seja, pessoas comuns (que poderiam ser você, amigo leitor, que não foi até banca para ficar na frente do computador lendo esse artigo, e dessa forma, desafiou o destino…) envolvendo-se, sem querer, com seres de extremo poder e sapiência que parecem encarnar virtudes assumidamente humanas.

O enredo de Crônicas de Mortes Anunciadas é sufocante e pode até tornar o leitor, como a própria  autora afirma: “Uma pessoa com tendências a hipocondria”. Afinal, tanto as pessoas comuns e místicas sofrem na mão do senhor do livro e nas desgraças das muitas pestes que chegamos a questionar, a existência de esperança contra as pragas desse universo (sim, deixei Desespero “baixar” em mim agora…). E, de quebra, ainda descobrimos que nem o portador do grimoire está a salvo, opa… meu destino está me levando para o perigoso caminho do spoiler.

O que mais me chamou atenção nesse título e o que me fez comprar a essa edição é o fato de  querer manter minha coleção de Sandman completa  ser uma história deste personagem tão pouco explorado em outras publicações dessa linha de quadrinhos da Vertigo. Quase não se vê por ai revistas do Destino, como vemos da Morte ou de Lúcifer.

Como entusiasta da série gostaria de aproveitar o gancho e falar de outras duas obras que, aqui no Brasil, “se destinam” a preceder essa publicação.

Sandman Apresenta 1 – Furioso e Antes do Tempo

Fúrias

No ano de 2011, com a publicação de Sandman Edição Definitiva Vol. 2, a Panini Editora, através do selo Panini Books, trouxe até as bancas tupiniquins Sandman Apresenta 1. E, junto com esse livro em banda desenhada uma promessa de iniciar a coleção de histórias “puxadas” das terras do Sonhar. Então, eis que em Julho do mesmo ano, somos “reapresentados” As Fúrias.

Digo “reapresentados” porque não chegou a ser uma série inédita no Brasil. A mesma já havia sindo publicada na revista Fábulas Pixel Magazine (que durou 4 edições, mas deu conclusão à saga) e chegara em uma hora pouco oportuna.

Infelizmente, Fúrias foi uma escolha infrutífera. A história escrita por Mike Carey (Lúcifer: Estrela-da-Manhã, Hellblazer) e ilustrada pelo incrível John Bolton (Livros da Magia), conta uma aventura vivida por Lyta Hall (mãe de Daniel, o segundo Sandman) que precisa sobreviver a um encontro com Cronos, o Titã do Tempo. E para escapar das garras do vilão ela conta com a ajuda de Mercúrio e das personagens que dão nome ao quadrinho.

O leitor atento pode estar se perguntando “Como o Vagnerd pode estar dizendo que essa fora uma escolha infrutífera?”. Bem, vou responder… Acontece que o final dessa revista traz um baita de um SPOILER para quem ainda não leu a série original de The Sandman. O que em nosso país significa um GRANDE número de pessoas.

Então, caro amigo, se você ainda não leu os últimos arcos da série principal do Mestre dos Sonhos, apresentar-lhes essa história não é uma “Leitura Recomendada”.

Os pontos fortes da publicação, fora o material de primeira, o papel de qualidade e a capa-dura belíssima (que alias, é uma marca registrada de todos os livros que acompanham o selo Sandman Apresenta, até então) se dá por conta da trama bem amarrada de um roteirista que não é o Gaiman, mas já fez muitos trabalhos e tem fortes lampejos de como funciona o universo dos Sete Irmãos. Sem contar, é claro, no incrível traço vivo de Bolton.

Talvez Sandman Apresenta 1 – As Fúrias tivesse mais aproveitamento pelo público brasileiro atual se todas as caras edições de Sandman-  Edição Definitiva já tivessem sido publicadas. Edições essas que, sabemos muito bem, são caras e inviáveis para publicação atualmente. Só o que me resta então, para você que mesmo assim pretende ler esse livro-gibi é avisar o seguinte: leia por sua conta e risco (e não culpe o Destino por isso).

 

Caçadores de Sonho

Sandman Apresenta 2 – Não é mais uma Fabula Japonesa

Mesmo assim a Panini não desistiu e no mesmo ano, no mês de dezembro, o presente de natal para os leitores brasileiros foi Sandman Apresenta 2 – Caçadores de Sonhos. Os fãs de longa data de Sandman podem estar pensando que se trata do fantástico livro ilustrado em 1999, escrito por Neil Gaiman e desenhado por Yoshitaka Amano (Vampire Hunter D), que possui o mesmo nome.

Bem, “esses caçadores” não são menos fabulosos do que  o seu irmão-livro e também não deixam nada a desejar para a nova versão que é em quadrinhos mesmo. E desenhado por um grande mestre.

Essa nova publicação Caçadores de Sonhos é na verdade uma adaptação feita pelo mestre nessa forma de transcrever histórias: P. Craig Russel. Esse fantástico desenhista de quadrinhos deu vida a Elric, a sua inatingível Imrryr, a Coraline e a outras obras do universo Sandman como Ramadan Coríntios – Morte em Veneza.

Essa versão é fiel a original. Com os desenhos do Craig aliado ao mesmo texto que Gaiman escreveu para os primeiros caçadores.  Que aliás, a leitura dessa obra em gibi se encaixa muito melhor do que com a que conhecíamos. Isso, não desmerecendo a Dream Hunter de 99, claro.

A história, um lindo romance entre um monge resoluto e uma esperta raposa (!). Que, conforme as lendas orientais, se assemelha a um espírito elemental ou uma entidade da natureza. Lembra uma fábula naturalizadamente japonesa, e durante muito tempo se pensara que assim como fizera com Orpheus, Neil Gaiman estava adaptando para as HQs, uma história de algum conto da antiguidade.

E somente na introdução dessa nova edição de Caçadores de Sonhos que descobrimos que esse importante fabulista moderno havia escondido de seus leitores de uma reveladora verdade… Descubra-a caçando sonhos, dessa vez, em quadrinhos.

Conclusão, Um Capítulo ainda não lido ou escrito no Livro do Destino

Se você leu esse post até aqui, significa que você trocou a busca pelo Grimoire do primeiro Perpétuo por uma compreensão maior do universo que envolve o principal dos Sete: Morpheus, O Senhor das Histórias.

Está aqui a prova primordial de que o Destino, chega quando tem que chegar, que não pode ser adiado ou atrasado, mas que, com o apoio de uma boa história do Sonhar, pode ser distraído, compreendido e então, acolhido. E aceitar o Destino, é talvez a única forma de superá-lo.

Eu Desejo, livre de qualquer Desespero ou Delírio, que os títulos apresentados por Devaneio tenham o seguinte Destino: que suas histórias jamais encontrem a Morte ou a Destruição e sendo assim, que sejam um conto que se conta do mesmo jeito como um Perpétuo vive…

Para Sempre.

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